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Nutrição

Revolução na mesa

Menos química, mais saúde. Esse é o lema dos alimentos orgânicos. Você já provou?

Ana Carolina Carvalho
Foto: Pedro Henrique Cunha
Não faz muito tempo que a palavrinha “orgânico” ganhou destaque na nossa geladeira. Aos poucos, foi conquistando as prateleiras dos supermercados e das barraquinhas da feira, e logo passou para o prato nosso de todo dia. Mas apesar da oferta mais acessível, ainda se sabe pouco sobre esses alimentos. Afinal, qual é a diferença entre eles e os convencionais? Devemos mesmo consumi-los com frequência ou é pura jogada de marketing? Preparamos um dossiê para você tirar as suas dúvidas e reforçar a dose de saúde nas suas refeições.

 ORGÂNICOS X CONVENCIONAIS

Os alimentos considerados orgânicos não carregam apenas a bandeira de livres de agrotóxicos. “Na agricultura convencional, substâncias químicas sintéticas, como adubos e agrotóxicos, e sementes híbridas e transgênicas entram em cena para garantir a fartura e a variedade de hortaliças, frutas e cereais”, explica Ondalva Serrano, presidente da Associação de Agricultura Orgânica de São Paulo (AAO). “Já no cultivo de orgânicos, o produtor, antes de determinar o que plantará, considera a fertilidade da terra de acordo com a estação do ano e as condições de água e luz, não utiliza agrotóxicos e adubos químicos e respeita o ciclo da natureza.” Esse pacote de cuidados garante alimentos mais nutritivos e saudáveis.

 AGROTÓXICOS NA MIRA

O uso de agrotóxicos tem sido estudado no mundo inteiro. Cientistas americanos, franceses e poloneses e até mesmo a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) já afirmaram que o consumo dessas partículas compromete a saúde. Segundo a médica Raquel Rigotto, da Faculdade de Medicina da Universidade Federal do Ceará, essas substâncias podem provocar tanto intoxicações agudas como efeitos crônicos. “Alguns agrotóxicos têm a capacidade de se comportar como os hormônios estrogênio e testosterona, e enganam os receptores celulares para que aceitem suas mensagens. Com isso, desencadeiam uma série de alterações fisiológicas que levam a doenças como câncer de tireoide e de mama, má formação genética e leucemia. Outro fator agravante é que o nosso organismo não consegue eliminar todas as substâncias químicas ingeridas. Resultado: fica sobrecarregado e pode provocar até mesmo mudanças comportamentais, entre elas hiperatividade e depressão.”

 CARIMBO CERTO

Na hora de comprar o seu orgânico, cheque se o alimento contém um selo que comprove sua origem. Ele só é fornecido por certifi cadoras como a Ecocert, a IBD e a IMO – Control do Brasil, entre outras, que avaliam se o alimento foi produzido sem químicas e com respeito à natureza. No site www.planetaorganico.com.br é possível conferir todos os selos aprovados pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

 CONTAMINAÇÃO INVISÍVEL

Não são apenas os vegetais que figuram nessa lista dos inimigos da saúde. Carnes e ovos também! Por isso, não se assuste se encontrar no supermercado bandejas de derivados de animais orgânicos. As substâncias químicas usadas na criação dos bichos são as vilãs. Para ganhar a certificação orgânica, o gado, porcos e galinhas são alimentados com rações livres de agrotóxicos e adubos químicos, não recebem hormônios de crescimento ou antibiótico, e o uso de medicamentos com ingredientes sintéticos é controladíssimo. O resultado são carnes com menos gordura saturada, ovos com mais vitamina A e cálcio e leite com maior quantia de ômega 3 e vitamina E.

 REFORÇO DE NUTRIENTES

Quando as plantas crescem sem agrotóxicos em um solo rico em nutrientes, as folhas, os frutos e as sementes são mais suculentos, cheirosos, bonitos e saborosos. “Além disso, os orgânicos têm mais fitoquímicos, ativos que atuam como antioxidantes, anti-infl amatórios, anticancerígenos e vasodilatadores, entre outras funções”, lembra a nutricionista Astrid Pfeiffer, autora do livro Na Cozinha Vegetariana da Astrid Pfeiffer (Editora Alaúde). “Algumas pesquisas revelam que eles também contêm maior quantidade de micronutrientes, como ferro, manganês e ácidos graxos poli-insaturados.” Um artigo publicado no Journal of Agricultural and Food Chemistry mostrou que tomates orgânicos têm quase o dobro de flavonoides (antioxidantes que protegem o coração) do que os convencionais. Já a American Chemical Society comprovou que a versão orgânica das laranjas traz até mais de 30% de vitamina C. E uma pesquisa polonesa encontrou maior quantidade de substâncias bioativas (fenóis, flavonoides e vitamina C) no purê de maçã orgânico do que nas conservas convencionais.

 PREÇOS DIFERENCIADOS

Não tem jeito: a maneira como os orgânicos são produzidos leva seus preços lá para cima. Como são cultivados na época certa, em baixa escala e por pequenos (e ainda poucos) produtores que não contam com subsídios e crédito do governo, são comercializados com valores bastante altos – chegam a ser 30% mais caros. Mas há feiras especializadas nesses alimentos, onde são os próprios produtores que comandam as barracas e os preços são mais acessíveis. Em São Paulo, a Feira do Produtor Orgânico, organizada pela Associação de Agricultura Orgânica, acontece às terças, aos sábados e aos domingos, das 7h às 12h, no Parque da Água Branca (Av. Francisco Matarazzo, 455, Água Branca). Se você não mora na capital paulista, explore o portal Planeta Orgânico www.planetaorganico.org.br: no link Quem Vende, há endereços de feiras e supermercados espalhados pelo País todo.
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