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Comportamento

Viva o bom humor

Saiba por que essa qualidade é tão importante para seu bem-estar e conheça dez estratégias para melhorar o seu humor e espalhar felicidade por onde passa

Olga Penteado
Imagem: Shutterstock
Você pegou carona com uma amiga e o trânsito está parado. Ela aproveita para recordar momentos divertidos que viveram juntas e coloca uma seleção de músicas bacanas, que ela mesma compilou. No dia seguinte, o congestionamento é o mesmo, mas quem está dirigindo é uma colega que reclama o tempo todo, xinga os outros motoristas e não tira a mão da buzina. Com a amiga alegre, você nem sentiu o tempo passar. Já com a ranzinza, cada minuto parecia uma eternidade e você saiu do carro prometendo a si mesma nunca mais pegar carona com ela. Muito melhor encarar o ônibus lotado!

Tanto o bom como o mau humor são contagiantes. Mas, enquanto a pessoa de bem com a vida vive cercada de amigos, a mal-humorada acaba afastando os outros. Bom humor é muito mais do que saber contar piadas – está associado ao bem-estar, à saúde e à qualidade de vida. “É um estado emocional que se caracteriza pela alegria, sensação de contentamento e habilidade de focar no lado bom das coisas”, define o médico Eduardo Lambert, de São Paulo (SP), especializado em terapias holísticas e autor do livro A Terapia do Riso (editora Pensamento).

“O bom humor anda de mãos dadas com o otimismo. Quem está sempre vendo o lado ruim de tudo, geralmente é mal-humorado”, complementa a psicóloga Ana Maria Rossi, presidente da seção brasileira da International Stress Management Association (Isma-BR), entidade voltada para o estudo e gerenciamento do estresse. Segundo ela, a autoestima elevada também está relacionada com o alto-astral. “Se você gosta de si mesma, está de bem com o mundo. Por isso, costuma ser mais prestativa e menos agressiva. Não precisa colocar os outros para baixo para se sentir melhor”, diz. Conhece alguém do tipo “perco o amigo, mas não perco a piada”? Um bom exemplo é o vilão Félix, da novela global Amor à Vida. Segundo Ana Maria, cinismo e ironia são, na verdade, mau humor disfarçado de bom. Cuidado!

O melhor remédio

Professora de psicologia da PUC de São Paulo (SP), Denise Gimenez Ramos destaca outra característica importante das pessoas bemhumoradas: a capacidade de rir de si mesmas. “Em uma situação de conflito, elas tomam distância sem se deixar invadir pela emoção negativa. Elas observam, elaboram e até podem ver o lado engraçado.” A comerciária Maria Fernanda Bonine, 45 anos, tem essa capacidade. Passando uma temporada em Londres, ela conheceu Luigi, um italiano lindo, bem-vestido e educado. Na época, ela mal falava inglês, muito menos italiano, e se encantou pelo rapaz. Qual não foi a sua surpresa quando, na hora H, ele confessou que era brasileiro? “O Luigi de Roma se transformou no Luís, do Tatuapé, bairro paulistano. Claro que, no momento, me senti enganada, mas, ao voltar para casa, dei muita risada com as minhas amigas. Aliás, dou risada até hoje quando recordo”, conta Maria Fernanda.

Humor não tem idade. Existem jovens rabugentos e idosos muito divertidos. “Na academia, havia um grupo de pessoas mais velhas fazendo ginástica e, após malhar, sentaram para bater um papo. A qualidade da conversa era muito agradável. Fiquei ali me inspirando nelas, pelo exemplo de dizer sim à vida. Se fizermos a escolha pela alegria genuína, colheremos bons frutos sempre”, acredita Wellington Nogueira, fundador do Doutores da Alegria, um grupo de atores que leva diversão às crianças hospitalizadas.

Humor e saúde em alta

São muitas as pesquisas que relacionam bom humor à saúde. Recentemente, a Universidade Harvard, nos Estados Unidos, compilou mais de 200 artigos científicos sobre o assunto e concluiu que pessoas felizes e otimistas têm menos riscos de desenvolver doenças no coração ou sofrer um derrame. Os cientistas acreditam que a sensação de bem-estar reduz fatores de risco, como a pressão alta e os altos índices de colesterol.

O alto-astral é o melhor antídoto ao estresse. “Com ele, os níveis sanguíneos de adrenalina e cortisol, hormônios relacionados ao estresse, diminuem, evitando o aumento da pressão arterial e favorecendo o sistema imunológico”, explica o neurocirurgião Fernando Gomes Pinto, do Hospital das Clínicas de São Paulo (SP).

“Considero o riso como uma terapia, que tem o objetivo de levantar o astral das pessoas, envolvendo autoestima e bom humor. O simples esboçar de um sorriso, ou seja, a contração de 28 músculos faciais, ativa, no centro do prazer do cérebro, a produção de serotonina e endorfina, neurotransmissores que dão prazer”, garante Eduardo Lambert, acrescentando: “Nos hospitais americanos existem trabalhos que mostram que a terapia do riso diminui o tempo de internação nas mais variadas doenças em cerca de 20% dos casos”. Wellington Nogueira, do Doutores da Alegria, concorda: “Uma criança mais alegre e animada colabora mais e responde melhor ao tratamento”.

O exercício do bom humor

Por que algumas pessoas são bem-humoradas e outras não? “Pesquisas científicas indicam que existe um pouco de DNA e muito de comportamento aprendido”, diz Ana Maria Rossi. Ela explica: “Um bebê que chora muito sem motivo e que é criado por uma família de mal com a vida vai ter essa característica reforçada. Ou ela pode ser atenuada se a criança vive em um ambiente onde reinam a tolerância e a alegria”.

Todos nós temos nossos períodos de mau humor. Quando ele deixa de ser “normal” e passa a ser um problema? “Isso acontece quando se torna crônico, prejudicando a vida amorosa, social e profissional. Nesse caso, ele passa a ser um transtorno chamado distimia”, explica a psicóloga Iracema Teixeira, do Rio de Janeiro (RJ). Por outro lado, o bom humor pode ser conquistado. Basta acrescentá-lo em nossa vida. Veja algumas estratégias:

EM SITUAÇÃO DE CONFLITO, MANTENHA DISTÂNCIA – “É importante não se deixar contagiar pela emoção negativa do outro, tenha em mente que ela não pertence a você”, ensina Denise Gimenez Ramos, exemplificando. Nessas situações, tente permanecer neutra e mentalize frases como: “Nossa, que pessoa mal-amada, ainda bem que não sou assim!”.

GARGALHE, RIA, SORRIA! – Quanto mais gostosa a gargalhada ou mais espontânea a risada, maior será a produção de endorfinas. “Mas risos discretos e até mesmo deliberados também ajudam”, garante Eduardo Lambert. Da mesma forma, para dar um up no astral, tanto faz assistir a uma comédia romântica ou uma do estilo besteirol. Depende do seu gosto, do seu momento...

NÃO QUEIRA MUDAR O QUE NÃO PODE SER MUDADO – “Você tem ou não controle da situação? Se não tem, melhor se adaptar”, diz Ana Maria Rossi. Se você planejou um passeio no parque, mas amanheceu chovendo, não adianta fi car com raiva porque isso não vai fazer com que a chuva pare. “Busque alternativas que dão prazer, como preparar uma comidinha gostosa em casa, assistir a um bom filme na televisão, fazer uma massagem.”

PRATIQUE ATIVIDADE FÍSICA – Correr, caminhar, andar de bicicleta, nadar, seja qual for o exercício aeróbico escolhido, não há dúvida que será um potente estimulador dos neurotransmissores serotonina e dopamina, que dão sensação de prazer e bem-estar. “As pesquisas apontam os aeróbicos como campeões, mas sabemos que outras atividades também colaboram com o bom humor, como a musculação e a ioga”, explica a professora de educação física Larissa Kussano, da academia Bio Ritmo, de São Paulo (SP).

PASSEIE AO AR LIVRE – Pesquisas demonstram que o contato com a natureza nos deixa mais gentis e amáveis conosco e com as outras pessoas, segundo Iracema Teixeira. “Já a exposição ao sol garante mais energia porque estimula a liberação de um coquetel de substâncias do prazer: a serotonina, a dopamina e a endorfina”, diz a psicóloga. Não se esqueça, porém, do filtro solar, e evite os horários de sol a pino.

EXPERIMENTE A MEDITAÇÃO – Já faz algum tempo que ela é encarada mais como uma ferramenta terapêutica do que uma experiência mística. Várias pesquisas mostram que meditar aumenta a produção de serotonina, neurotransmissor ligado ao bem-estar. “Se não tem acesso a algum centro ou grupo de meditação, recorra ao YouTube – existem vários vídeos com técnicas guiadas para você seguir”, recomenda Jan Luiz Leonardi. Ele lembra, entretanto, que a prática deve ser regular.

CUIDE DA ALIMENTAÇÃO – Fome é certeza de mau humor! “Quando passamos muito tempo sem comer, a produção de serotonina flutua”, explica a nutróloga Ana Luisa Vilela, da Clínica Slim Form, de São Paulo (SP). Por isso, o ideal é fazer seis refeições diárias, sempre equilibradas. “Cuidado com o açúcar e a farinha, que também provocam oscilação no nível de serotonina”, completa. Já as frutas oleaginosas (nozes, castanhas, amêndoas) são boas fontes de minerais, como magnésio, cobre e selênio, que contribuem na regulação do humor.

FOQUE NO POSITIVO – Wellington Oliveira conta que aprendeu nos hospitais a enxergar que, além da doença, existe um lado saudável na criança que pode ser estimulado. “Em uma situação de estresse podemos fazer a mesma coisa e nos agarrar no que está bom. No trânsito, posso escolher ficar amargurado ou ouvir uma música agradável ou fazer planos prazerosos para depois. O simples fato de eu saber que tenho essa escolha já me faz mais forte”, diz o ator.

FAÇA UMA RESERVA DE BOM HUMOR – Nós estaremos sempre expostos a fenômenos que desafiam nossa paciência, como trânsito, excesso de trabalho, falta de tempo. “Como você sabe que esses fatores são inevitáveis, jogue a seu favor e cultive hábitos que dão prazer: ler, ouvir música, dançar, ir ao cinema, passear ao ar livre...”, diz o psicólogo Jan Luiz Leonardi, do Núcleo Paradigma de Análise do Comportamento, em São Paulo (SP).

TENHA UM PLANO DE AÇÃO – Se você fica mal-humorada a caminho do trabalho porque está sempre atrasada, pense em estratégias para evitar isso: decida se vale a pena acordar um pouco mais cedo, tomar banho mais rápido, gastar menos tempo no café da manhã. Ou seja, tome uma atitude para economizar esses minutinhos que provocam tanta angústia logo de manhã.
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