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Comportamento

Menino de ouro

Meu amigo lindo, inteligente, sensível... Posso criar uma lista de elogios, mas não serão suficientes para definir Zeca Camargo. Quer ter um gostinho do que é conviver com esta pessoa maravilhosa? É só ler a entrevista a seguir, que fiz com o maior carinho para você!

Ana Maria Braga
Foto: Marcos Pinto
Ana Maria Braga (A): Todo mundo conhece o Zeca do Fantástico, o Zeca que foi da MTV, o Zeca que escreve livros. Mas o que eu não sabia era que você já foi professor de dança.

Zeca Camargo (ZC): É uma das coisas das quais eu mais me orgulho. Tenho uma história meio maluca. Entrei na faculdade com 16 anos. Fiz administração de empresas e, como eu não tinha certeza do que queria, fiz junto propaganda. Com 20 anos eu tinha dois diplomas e fui fazer uma terceira faculdade, filosofia. Cursei por um ano e meio e abandonei. Eu era moleque, tive o luxo de poder descobrir as coisas, pois ainda morava com meus pais. Quando terminei as duas primeiras faculdades, comecei a trabalhar em uma galeria de arte e a dançar como aluno do Ivaldo Bertazzo. Como levava jeito, virei professor.

A: Como seu pai, militar, via um filho que dançava?

ZC: Ele era médico e muito conservador. Confesso que não foi a melhor notícia que eu dei para ele, mas lembro direitinho do dia em que ele foi assistir ao meu primeiro espetáculo. Ele ficou com um orgulho muito bacana. Meu pai já morreu, infelizmente, em 2007, mas lembro de ele apertar minha mão e dizer: “Você faz as coisas direitinho, né?”.

A: Você vai completar 50 anos em abril do ano que vem. Me conta: quem é o Zeca?

ZC: É um cara muito feliz. Aos 50 anos você faz um balanço, é inevitável. E eu parei para pensar outro dia que eu sou muito feliz. Construí uma família alternativa, pois não sou casado, não tenho filhos, mas tenho uma família de amigos muito forte, além da minha querida que é de sangue. Então o Zeca é um cara que recebeu muita coisa da vida, mas muita coisa mesmo. Me sinto privilegiado e faço o possível para devolver. Não posso acreditar que tem gente que tem um instrumento tão poderoso como a televisão e desperdiça isso. Eu sou exemplo e tenho que ser esse exemplo, mesmo que seja do meu jeito, com os meus defeitos.

A: Vou me permitir contar uma intimidade: soube que quando você fez 45 anos, levou 28 amigos para Portugal entre mãe, irmãos e amigos.

ZC: Eu fiz isso com um prazer... No ano que vem vamos para Istambul, em um grupo maior, porque a família cresceu para 40 pessoas. Quando fiz 40 anos economizei para a comemoração dos 45. Aos 45, abri uma conta no banco para gastar com os meus 50 anos. É um agradecimento aos amigos. Istambul é uma cidade perfeita para mim, porque tem tradição, é moderna, a balada é uma loucura, a comida inacreditável de boa, acho as pessoas extremamente bonitas e acessíveis. O turco tem muito de brasileiro. Ele pega em você, te abraça, te chama para ir na casa dele. E as mulheres e homens são lindos. Eles sabem se divertir. E já planejei até os 65 anos. O aniversário de 55 anos será em Bangcoc, 60 na Índia e 65, se Deus quiser, volta ao mundo.

 
Foto: Marcos Pinto
A: Quem é que te conhece de verdade, além da sua mãe?

ZC: Acho que nem minha mãe me conhece tanto quanto dois amigos meus. Uma amiga da época da dança, a Beth, que sabe tudo da minha vida. E outro é um grande amigo, um jornalista e escritor. São meus maiores amigos por vários motivos, mas eles fizeram uma coisa comigo que nunca vou esquecer: eu trabalhava na MTV e era um moleque, era diretor aos 20 e poucos anos, eu estava que nem pinto no lixo. E fui demitido da noite para o dia. Eu cheguei em casa arrasado e esses dois amigos me pegaram, me deram um porre, me levaram para uma praia, e quando acordei eles estavam do meu lado e cuidaram de mim o fim de semana inteiro. Eles já fizeram mil coisas lindas para mim, mas nada como isso. Aí na segunda-feira eu estava muito melhor.

A: Qual é seu maior defeito?

ZC: Eu não cuido de mim, não tomo remédio para nada. Estou há uma semana com dor nas costas. Domingo apresentei o Fantástico quase chorando. Agora que está melhorando.

A: Mas por algum motivo em especial?

ZC: Se eu for fazer análise, vão me falar que é porque meu pai era médico e tinha muito remédio na minha casa. Mas não acredito nessas coisas. Acho que é um pouco por causa da dança, porque para mim o corpo é um templo e acho que remédio é uma grande interferência. Uma vez viajei para as Ilhas Fiji e fui picado por um inseto, minha perna inchou. Aí um dia peguei avião com o doutor Drauzio Varella. Eu estava mancando, ele pediu para ver. Olhou e falou: “Você vai tomar remédio agora. Não estou perguntando, estou mandando”. Comprou o antibiótico e me fez tomar. Foi assim, em uma situação extrema. Ao mesmo tempo, tenho a saúde muito boa, imunidade boa. Quando tenho gripe não tomo nada, só como o que preciso.

A: Falando no seu corpo, você não está de saco cheio de as pessoas falarem “E aí, Zeca, não fez a dieta para emagrecer?”

ZC: Eu brinco com o diretor que temos que criar uma série sobre astrologia, física quântica, para mudar o foco. Mas acho que eu nunca vou ficar livre disso, o que é bom porque de fato eu não vou relaxar nunca e ruim porque de vez em quando estou comendo algo e as pessoas passam comentando. É importante lembrar que não fiz essa série pela vaidade, mas sim para as pessoas pensarem. Não que o Brasil inteiro vai entrar na dieta, mas muitos vão parar para pensar. E deu muito certo. Fico chateado porque quando você vê a repercussão, penso “Isso é uma parte tão pequena da minha vida”.

 

*Veja a entrevista completa na edição número 05 da revista A!
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