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Comportamento

Felicidade: modo de ser

Afinal, por onde anda a felicidade? E mais do que isso: por que ela parece tão mais palpável para algumas pessoas do que para outras?

Bianca Donatto
Ilustração: Erica Mizutani
Você certamente conhece ou já ouviu falar de alguém que, apesar de receber inúmeras oportunidades da vida, fica pelos cantos se lamentando e parece sempre sufocado por um amontoado de problemas que nem mesmo o dinheiro, a família bem estruturada ou os anos de estudo conseguem suavizar. No entanto, vivem pipocando à nossa volta e até mesmo na mídia histórias de pessoas extremamente simples e que chamam a atenção por outro motivo, além da falta de recursos: um sorriso largo e constante estampado no rosto. Esses são apenas dois exemplos que nos mostram um fato que teimamos em esquecer e ignorar: a felicidade não escolhe a quem contemplar, levando em conta classe social, formação, religião, raça ou profissão. Somos nós, nossas escolhas e a maneira de encarar a vida que nos levam a optar (ou não) por essa dádiva. Mas por que será que algumas mulheres têm mais facilidade de deparar-se com a alegria? E mais do que isso, como fazem para tirar tanto proveito e até estender a duração dessa visita pra lá de agradável?

Descubra o que faz você feliz!

Quem não conhece a fundo seus sonhos e desejos não pode se planejar e, assim, buscar meios assertivos de realizá-los. E mais do que isso: fica suscetível a absorver ideias externas do que é a felicidade e, dessa forma, nunca sentir-se plenamente satisfeito. “O tempo todo recebemos da sociedade fórmulas prontas para sermos felizes: emagrecer, comprar o carro do ano, viajar para o exterior... No entanto, esses parâmetros só funcionam de fato se vierem de dentro de nós. Porque quando se trata de felicidade não tem certo ou errado, não tem receita universal”, aponta a psicóloga Denise Pará Diniz, coordenadora do Setor de Gerenciamento do Estresse e Qualidade de Vida da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp).

Trabalhe suas expectativas

Muita gente comete o equívoco de tratar a felicidade como uma celebridade, daquelas com quem temos chances mínimas de cruzar andando por aí. Para essas pessoas, ser feliz é algo difícil, trabalhoso e por vezes até inalcançável. Mas, quando acontece, ahhh... muda de vez a nossa vida! Porém na prática não é bem assim. “A felicidade não é uma condição permanente, tampouco refinada demais. Na maioria das vezes, ela se concentra em coisas pequenas e simples, que nos iluminam por alguns momentos”, diz o psiquiatra Leonard Verea, de São Paulo (SP). Ou seja, quem passa a vida desejando o que não pode ter ou nutrindo a falsa crença de que para ser feliz de verdade é preciso viver algo grandioso, quase sobrenatural, perde tempo e deixa passar diante dos olhos coisas deliciosas que a vida nos proporciona, sem exigir muito esforço em troca: um almoço com a família reunida, o olhar de gratidão de um filho, o bom dia regado a amor que o marido deseja todos os dias, o sabor inesquecível daquele doce que só a sua avó sabe preparar, a sensação boa de sentar-se diante do mar... Para valorizar mais esses momentos, o expert sugere: “Evite palavras que indicam condição como ‘se’ e ‘quando’. Aproveite o agora e aquilo que tem em mãos”.

(Re)conheça suas qualidades e deficiências

A vida de ninguém é um perfeito mar de rosas. “Nossa caminhada é uma luta, uma busca constante. É preciso encará-la com coragem e garimpar muito para encontrar o ouro”, afirma o psicólogo Hélio Deliberador, professor do curso de Psicologia da Pontifícia_Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP). Conscientes disso, as felizardas conhecem bem seu potencial e o empregam com energia para solucionar as adversidades. Entretanto, contam também com a humildade de reconhecer que todos temos certas limitações e que perder, de vez em quando, é inevitável. O importante é aceitar as derrotas com o coração e a mente abertos e extrair boas lições. “Além das qualidades que não dominamos, é preciso lembrar que existem situações cujo desfecho simplesmente não depende de nós. A vontade de outra pessoa pode predominar ou, ainda, podemos ficar reféns de fatores incontroláveis, como o trânsito, o clima e a passagem do tempo. Resta, portanto, dar o melhor de nós e deixar que o resto se encaminhe”, diz Denise. E lembra que dissemos que a felicidade não é permanente? Pois é, a tristeza também não! Acredite: assim “que der o seu recado”, a dificuldade irá passar.

Questão de DNA

Segundo os pesquisadores da Escola de Economia e Ciência Política de Londres, a capacidade de cultivar a alegria é influenciada pelo gene 5-HTT. Eles concluíram que as pessoas que possuem duas cópias desse gene longo estavam mais satisfeitas com a vida do que aquelas que combinavam um gene longo e um curto ou dois curtos. Isso porque os genes longos possuem muitos transportadores de serotonina, substância que proporciona prazer e bem-estar. “Apesar disso, nossa felicidade não é determinada por uma única variante, as experiências também contam muito. Além do mais, é possível aprender a controlar as emoções e ter uma vida mais plena, em qualquer fase”, garante a psicóloga Denise Pará Diniz.

Espalhe sementes em terrenos diferentes

Um estudo recente da Universidade da Carolina do Norte, nos Estados Unidos, atestou que as mães que trabalham fora são mais felizes e saudáveis do que aquelas que se dedicam exclusivamente ao lar. Mas por que será que somar mais responsabilidades – e sofrer a pressão do ambiente corporativo – afeta positivamente a vida dessas mulheres? A resposta é uma só: poder contar com mais uma possibilidade de realização. “Antigamente, o trabalho era visto pela maioria como uma obrigação, uma forma de se manter. Hoje, a sobrevivência já faz parte do pacote e temos o trabalho como uma nova fonte de satisfação, pois ele nos dá um papel no mundo e nos faz sentir úteis e produtivos”, garante a consultora em desenvolvimento pessoal e gestão de carreira Regina Silva, do Instituto Gyraser, de São Paulo (SP). Isso sem falar da autonomia que a independência financeira proporciona de fazer escolhas, batalhar pelas férias tão sonhadas no litoral, comprar algo que se deseja... “Muitas vezes, não é a posse em si que deixa a pessoa feliz, mas a conquista, pensar que depois de se esforçar ela conseguiu finalmente obter o que queria”, aposta Denise. E não é só o trabalho que nos abre outras portas para a felicidade entrar. As relações com os amigos, com a família, a vizinhança... Tudo isso conta. Afinal, não é bom demais ter com quem compartilhar vitórias ou ainda dividir o peso de uma situação difícil? “Receber e dar carinho é um dos antídotos mais poderosos contra os males da alma”, filosofa Hélio Deliberador. Então, mais do que plantar as sementes, é necessário gerenciar seu tempo e arranjar um tempinho para regá-las sempre que necessário. Combinado?
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