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Comportamento

Escola certa

Algumas definições determinam o rumo de toda uma vida. A escola do seu filho é uma delas. Mais do que conveniência, é preciso ter responsabilidade

Cinthia Dalpino
Imagem: Shutterstock
A escola que fica perto de casa exerce um fascínio. Aquela cuja mensalidade parece ser “mais em conta” nos atrai. E aquela com atividades sem cessar pode ser fascinante. Mas, afinal, o que os pais devem levar em conta na hora dessa escolha tão decisiva para a vida dos filhos?

Questionar a si mesmo durante esse processo é fundamental. Para Dulcilia Schroeder, autora do livro De Volta ao Quintal Mágico (Ed. Ágora), o respeito às necessidades da criança é fundamental: “Alguns pais procuram escolas que ensinem informática desde os 2 anos de idade e não se perguntam se isso é mesmo válido nessa fase da vida. Outros, pensando na futura profssionalização, acham imprenscindível colocar o filho em um jardim da infância bilíngue, ainda que todos da família só falem português. Até onde vai o desejo dos pais de buscar uma superformação e até onde vai o respeito às necessidades da criança?”

Tratando-se da primeira instituição “extrafamília” em que a criança vai desenvolver suas potencialidades, a questão gera polêmica. “Preferencialmente, é importante considerar que a criança pré-escolar deveria ter tempo de brincar, imaginar, fantasiar e se socializar”, esclarece a doutora em psicologia escolar e desenvolvimento Sueli Pecci Passerini. Ela é categórica ao dizer como pode ser danoso um ensino cuja única finalidade seria prepará-la para um vestibular. “É irrelevante pensar-se em vestibular antes do ensino médio.”

Para os pais que buscam uma “superformação” para os filhos desde cedo, a especialista garante que é melhor fazer dois anos de cursinho para entrar em uma faculdade pública do que perder a infância e a possibilidade de efetivamente desenvolver-se em virtude de uma aceleração de aprendizado. “A criança e o adolescente deverão desenvolver seus potenciais em habilidades viso-motoras, capacidades cognitivas, imaginativas e criativas e qualidades sociais, integrados em uma identidade própria”, avalia Sueli, que tem um radar apurado para detectar onde os pais mais erram na escolha da escola dos filhos. “Já atendi uma criança que estava sendo alfabetizada aos 4 anos em português, inglês e informática. Tal estresse gerou uma síndrome de pânico, além da perda da espontaneidade e da fantasia. Infelizmente, não foi a única que frequentou meu consultório”, analisa.

Segundo a pedagoga Betina Serson, autora do livro Seja o Herói dos Seus Filhos (Ed. Melhoramentos), existem vários critérios a serem considerados: “Os valores da escola devem estar de acordo com os valores da família, ser perto da casa ou do trabalho dos pais para que em caso de emergência possam chegar rápido e, é claro, as mensalidades devem estar de acordo com as possibilidades dos pais”, pondera. E quando falamos de valores, estamos nos referindo a algo que pode afetar toda a estrutura familiar. Se a escola é diferente daquilo que os pais acreditam ou vivenciam dentro de casa, não só os valores ficarão contraditórios, como as crianças terão dificuldades no entrosamento com os colegas, e, de acordo com Sueli, até problemas de autoestima que poderão acompanhá-las por toda a trajetória escolar e profissional.

Para algumas mães vale tentar, errar e tentar de novo. É o caso da professora de inglês Yara Tropea, que já trocou seu filho de escola três vezes. “A dificuldade é unir ensino de qualidade com espaço físico, localização e boa alimentação”, explica a mãe de Pedro, que está satisfeita com a escola, mas não irá matricular sua segunda filha na mesma instituição. “Estou procurando de novo porque nos dois primeiros anos manter uma dieta longe de industrializados, farinhas e açúcares é muito importante, e não é realidade da escola onde meu filho estuda.” Escola ideal? Para Yara, ela ainda não existe. “Há escolas que, de alguma forma, conseguem dar o que os pais consideram essencial para cada criança, em cada uma das fases. E isso varia de acordo com cada família”, reflete.

Em Mulher – Guia Prático de Sobrevivência, livro digital escrito pelajornalista Rosângela Gessoni SapataAguilar, um capítulo é dedicado aotema. Para a autora, é importante “fazeruma visita não agendada à escola everificar como alunos e profissionais secomportam espontaneamente; marcarum horário com o coordenadorou diretor para obter asinformações necessáriase esclarecer todas asdúvidas; dependendo daidade, levar a criançapara conhecer aescola, observarcomo ela se sentee pedir sua opinião”.

PEREGRINAÇÃO SEM SUSTOS

Para facilitar a sua escolha, elaboramos alguns parâmetros com a ajuda de profissionais da área:

*Os pais podem se perguntar: “O que eu mais gostei quando era aluno na pré-escola, no primário e ginásio (hoje fundamental) e no colegial (hoje ensino médio)?”. Essas respostas são um bom critério de orientação para que seus filhos tenham uma boa experiência escolar.

*Preocupada se ele vai se entrosar com os colegas? Saiba que a identificação só virá se as crenças, valores e ideais familiares e escolares forem semelhantes. Caso contrário, a frustração pode aparecer.

*Cada fase merece sua atenção: a mais vulnerável e que deverá ser cuidadosamente observada pelos pais é a da criança pré-escolar até os 11 ou 12 anos, ou seja, no período da infância e da puberdade. O aprendizado tem que ser significativo, caso contrário, cumprem-se etapas sem vínculo e sem conhecimento efetivo.

*Observe a segurança do ambiente.

*Informe-se sobre a metodologia adotada e vá mais longe: descubra como é um dia típico da criança lá dentro – do horário da entrada até a saída.

*No caso das escolas particulares, pense em todos os custos envolvidos, como mensalidade, matrícula, material, uniforme, passeios e eventos. Não será positivo assumir um compromisso financeiro que desestabilizará o orçamento da família.

*Por mais que você fique tentada, não escolha a escola por moda.
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