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Ações Sociais

McDia Feliz

Uma história inspiradora, responsável por trazer ao Brasil um trabalho social vitorioso

Bianca Iaconelli
Foto: Divulgação
“Meu filho saiu da minha vida para o Ronald McDonald entrar para sempre.” No lugar do famoso palhaço, símbolo da rede de restaurantes fast-food, você pode imaginar milhares de crianças vítimas de diferentes tipos de câncer que, para Francisco Neves – superintendente do Instituto Ronald McDonald e autor da frase de abertura – são, de certa forma, carinhosamente cuidadas como filhos. Um entrou na vida do outro para mudá-la completamente. Mas a história de Chico, como gosta de ser chamado, com os portadores da doença, começa bem antes.

O início de tudo

Em 1983, então com 2 anos e 2 meses, seu _ lho Marcos foi diagnosticado com leucemia. “É como perder o chão, parece que o mundo desaba sob os nossos pés”, relata. À época, os tratamentos não eram tão modernos como os que temos hoje no Brasil. Quando Marquinhos adoeceu, as chances ficavam em torno de apenas 45% ou 50%. Mas nenhum número baixo tirava de Chico e de sua esposa, Sonia Neves, a esperança em recuperar a saúde do pequeno. Após duas recaídas durante o tratamento, em 1989, Chico ouviu dos médicos que tudo que havia a ser feito era esperar pela hora da partida do menino. Ainda assim, mesmo desamparado, não desistiu. Por meio de um amigo, tomou conhecimento de um projeto mantido pela rede alimentícia nos Estados Unidos. Em seu país de origem, o McDonald’s criou o Instituto Ronald McDonald que, entre outras atividades, mantém as casas Ronald McDonald, que dão apoio a crianças e jovens durante o tratamento.

No continente norte-americano, estaria uma chance para Marquinhos. Em um primeiro momento, Chico imaginou que não pudesse arcar financeiramente com os custos de um procedimento médico tão avançado e pago em dólar, mas qual não foi a sua surpresa ao descobrir que o projeto era gratuito! Assim, viu a esperança renascer. Por meio do programa de assistência social do Memorial Cancer Center, alistou-se e aguardou sua chamada para embarcar. Para arcar com as demais despesas, como as passagens aéreas em seu nome, de sua esposa e do outro filho do casal para Nova York, teve uma ajuda inesperada. Apaixonado por futebol, Marcos era torcedor do Vasco, time que fez ações e partidas beneficentes para arrecadação de fundos. Com o amor da equipe e dessa família unida, lá foram os quatro, de mala e cuia. Em 1990, infelizmente, a história de Marquinhos não teve o final desejado e batalhado pelos pais. O garoto de 9 anos morreu, mas transformou seus fiéis companheiros em batalhadores da causa.

A força que vem da dor

Ao voltar para o Brasil, Chico manteve contato com a equipe do McDonalds e descobriu que tinha início por aqui uma campanha já famosa nos Estados Unidos, o McDia Feliz, em que toda a renda obtida com a venda dos hambúrgueres Big Mac – na promoção ou isoladamente – era destinada para os projetos do instituto que tanto o ajudara em terras estrangeiras.

Em meados de 1990, Chico decidiu engajar-se e fazer parte da festa. Durante a venda dos sanduíches, soube que ali estava Peter Rodenbeck, então presidente mundial da franquia. Com a cara e a coragem, ele o questionou sobre o porquê de o Brasil ainda não possuir aquele programa que acolheu seu filho e sua família quando mais precisaram. Peter não pensou duas vezes: “Vamos montar!”. E Chico fez parte dessa implementação, como superintendente do instituto.

Uma nova vida

Em 1994, a primeira casa foi fundada no Brasil, na cidade do Rio de Janeiro. Hoje, são seis no total, espalhadas por outras cidades do País. Em São Paulo, 30 crianças ocupam a capacidade máxima da casa, cada uma em sua suíte, acompanhadas por um responsável. Desses 30 quartos, seis são especialmente equipados para pacientes transplantados. Todos eles moram ali gratuitamente durante todo o tratamento, feito no GRAACC (Grupo de Apoio ao Adolescente e à Criança com Câncer), e têm à disposição toda a estrutura da casa, equipada com brinquedoteca, adoleteca, refeitório, salão de eventos, living, cozinha industrial, jardim com playground e outras áreas comuns. Nela estão pacientes que passaram pela triagem da assistência social do hospital e, prioritariamente, moram longe do local de tratamento.

Nas diferentes cidades, outros hospitais também fazem parte da rede. O conceito de “casa longe de casa” tem como principal objetivo oferecer convivência social para os portadores e seus responsáveis, já que o espaço é repleto de atividades educacionais e recreativas. Não é difícil caminhar pela casa paulistana, a que visitamos, e ver as crianças sorrindo e se divertindo, amenizando suas dores físicas e psicológicas, fazendo-as lembrar que a esperança nunca deve ser desfeita. “Me engajar nesse projeto se tornou minha razão de viver para que nenhum pai sinta a dor que eu senti”, fala Chico, sem conseguir segurar a emoção ao se recordar do filho.

VOCÊ PODE AJUDAR

As casas Ronald McDonald, que fazem parte do instituto, contam com a ajuda de voluntários. Para ser um deles, basta entrar em contato pelos números:

Casa Rio de Janeiro (RJ) – 21 2566-3200

Casa São Paulo (SP) – 21 5055-5725

Casa Santo André (SP) – 11 4992-1440

Casa Campinas (SP) – 19 3257-2082

Casa Belém (PA) – 91 3243-2881

Casa Jahu (SP) – 14 3621-4522

PARTICIPE!

Em 2013, o McDia Feliz acontece no dia 31 de agosto e comemora 25 anos da campanha no Brasil. Participe! Basta comparecer a um McDonald’s nesse dia e comprar um Big Mac. O dinheiro arrecadado vai para os projetos do Instituto Ronald McDonald (só é deduzido o ICMS que o governo de algumas cidades recolhe) e em seguida o instituto decide as porcentagens que vão para cada projeto.

 
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