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Ações Sociais

Lixo cidadão

Em vez de ficar apenas lamentando a previsão de um futuro ruim para o planeta, a atriz Isabel Fillardis montou um instituto de reciclagem que, de quebra, está gerando emprego e dando novas oportunidades a famílias carentes

Márcio Gomes
Foto: Fernanda Fernandes
O acaso existe? Isabel Fillardis acredita que sim! Para a atriz, não foi à toa que, durante uma viagem do Rio de Janeiro para Vitória, encontrou um exemplar de uma revista de bordo e começou a folhear página por página. Ao se deparar com uma reportagem sobre o que poderia acontecer com o meio ambiente nos próximos dez anos, algo mexeu com ela. Em seguida, coincidência ou não, já na saída do voo, Isabel foi convidada por um engenheiro para dar uma palestra sobre diversos assuntos, dentre eles o tema sustentabilidade. Pronto, foi a partir daí que ela soube que teria que fazer algo em prol da natureza. Com a parceria incansável do marido Júlio César, ela criou uma ONG, que depois se tornou o Instituto Doe Seu Lixo.

Hoje, à frente desse projeto, o casal procura dar soluções para reduzir o impacto ambiental através da reciclagem dos resíduos sólidos, gerando vários empregos (diretos e indiretos), melhorando a qualidade de vida de diversos catadores. “Lendo aquela revista, pensei: meu Deus, que mundo vai ser esse para os meus filhos? Preciso fazer alguma coisa. Um dia, assistindo à TV, vi uma reportagem sobre catadores de lixo. Foi aí que tive o start do que iríamos fazer. Pesquisamos, juntamos um dinheiro e começamos o trabalho com os moradores de rua”, conta.

Números que impressionam

Com dez anos de funcionamento, hoje o Instituto Doe Seu Lixo já possui suas usinas de reciclagem, como a Usina de Triagem e Reciclagem do Estado do Rio de Janeiro (UTR-RJ) e mais duas outras espalhadas pelo Brasil, nas cidades de Linhares (ES) e de Cuiabá (MT). Com a capacidade de reciclagem de até 650 toneladas por dia, a UTR-RJ tornou-se um centro de referência e eficiência. “As empresas nos procuram e nos encomendam um projeto para reciclar o lixo gerado por elas”, comenta Isabel.

Fechada a parceria, Patrícia Fernandes, gerente de treinamento e novos negócios do instituto, explica que o lixo é coletado pelos catadores cooperados da Socitex (cooperativa de trabalhadores da UTR-RJ) e chega até a usina de reciclagem. “Ele vem bruto, porém, sem estar misturado com resíduo orgânico. O material seco, como embalagens de papelão, garrafas plásticas e papel, passa pela triagem e vai para a prensa. Assim, são formados os fardos que chegam às indústrias de reciclagem para o material ser reaproveitado”, diz Patrícia, que conta com caminhões equipados com o sistema GPS para poder monitorar a movimentação do lixo das empresas.

Nova realidade

E o instituto não para de crescer. A Socitex hoje reúne, em média, 200 cooperados ativos, que trabalham dentro e fora da UTR-RJ. A estrutura não se limita à usina. Eles têm parceria com alguns supermercados, por exemplo, e colocam um funcionário em cada loja para tomar conta do lixo que é entregue para ser reciclado. “Além de darmos uma estrutura digna de trabalho com o uso de equipamentos de segurança, transformamos vidas, como aconteceu comigo. Um dia precisei de emprego, comecei como catador de rua e hoje estou gerando emprego através da Socitex”, conta Antônio Borges, presidente da cooperativa há oito anos.

Patrícia diz ainda que a cooperativa realiza um processo de capacitação com os cooperados para obter melhores resultados. “Aqui eles têm aulas teórica e prática para exercer da melhor forma a sua função. Afora isso, o Instituto Doe Seu Lixo faz um trabalho de socialização e treinamento e dá apoio na parte administrativa. Ensinamos a técnica para eles aprenderem a separar os resíduos sólidos e ainda trabalhamos a conscientização ambiental. A cooperativa vive da venda do material e as pessoas ganham pela produção”, relata.

Pensando grande, o instituto quis muito mais e não ficou restrito apenas à reciclagem e educação ambiental no Rio de Janeiro. “Além da gestão da Socitex, aqui no Rio, nós temos um gestor em cada Estado que é responsável por catalogar todas as informações e colocar no sistema para acompanharmos tudo de perto. Temos também 30 supervisores, pelo menos um em cada Estado. E cada cooperativa tem 50 catadores. Por baixo, geramos milhares de empregos”, ressalta Isabel Fillardis, que já sabe que terá que reciclar o lixo da Copa do Mundo, em 2014: “Nós vamos chegar às 12 cidades-sede da Copa do Mundo com as nossas usinas”.

Ciente de que tem uma longa estrada pela frente, Isabel não pensa em parar tão cedo. “A gente sonhava em crescer e as coisas foram acontecendo. Queremos realizar, realizar e realizar. O lixo é um grande transformador”, finaliza.

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