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Ações Sociais

Fotógrafo Protetor

Conheça o projeto Fotógrafo Protetor, criado pelo fotógrafo Luciano Stabel

Annamaria Aglio
A união de duas grandes paixões: os animais e a fotografia. Esse foi o ponto de partida para a criação do projeto Fotógrafo Protetor, pelo gerente comercial e fotógrafo Luciano Stabel, de São Leopoldo (RS). O primeiro cão beneficiado pelas lentes de Luciano foi Dumont, um mestiço de dachshund resgatado à beira da morte. “Quando vi as fotos feitas pela protetora após o resgate, senti que precisava ajudar aquele carinha. E fui para a clínica veterinária fotografá-lo. Publiquei o resultado no meu perfil pessoal do Facebook e, de um dia para o outro, ele já tinha um lar!”, comemora.

Segundo o fotógrafo, o trabalho dos protetores costuma circular apenas entre eles, mas, com imagens mais poéticas, o alcance é maior. “Busco minimizar o estado dos que estão mais maltratados, dando closes nos olhos, desfocando o restante, para estimular a adoção”, conta ele, que lançou uma comunidade seguida por milhares de internautas em poucos meses de existência. “O trabalho de proteção animal não é feito por nenhum super-herói. Ele é feito por pessoas iguais a qualquer outra, porém, que não conseguem passar indiferentes à dor de outro ser vivo. Se cada um fizer um pouquinho, poderemos diminuir, consideravelmente, o sofrimento dos peludos”, finaliza Luciano, que sonha em ver o movimento espalhar-se por outras regiões do país.

VEJA GALERIA DE FOTOS DE ALGUNS ANIMAIS QUE RECEBERAM AJUDA DO FOTÓGRAFO PROTETOR

A: Como surgiu o projeto?

Luciano Stabel: Surgiu parte por acaso, parte intencionalmente. A intencional foi por uma necessidade pessoal de encontrar algo dentro da fotografia que eu pudesse praticá-la sem que a “fonte esgotasse”. Precisava de algo que sempre estivesse gerando novas pautas, algo que me puxasse a criatividade dentro da própria fotografia. E por acaso é como tudo efetivamente começou.

A: Como funciona o Fotógrafo Protetor?

Luciano:  Os protetores da região do Vale do Sinos e da Grande Porto Alegre me chamam para fotografar os animais que estão com eles ou em alguma clínica. Eu digo “tentam” me chamar pois o projeto está tomando uma proporção muito grande, a qual eu não imaginava que ocorreria tão rápido. Desde que o projeto existe (não chegou a três meses ainda), formei um círculo de amizades muito grande com os protetores e as clínicas veterinárias da região. Dessa forma, sempre que surge algum caso novo de resgate, eles acabam entrando em contato pelo próprio Facebook para que eu faça o trabalho. A parte mais prática é que vários protetores colocam seus animais nas mesmas clínicas, sendo que em uma visita a uma delas, consigo atender a “vários chamados”. Outra forma que também já aconteceu são pessoas que não se consideram protetores, que ao acaso recolheram algum cãozinho ou gato (normalmente filhotes) e me chamam para ajudar na divulgação e na busca de adotantes. 

A: Qual é a maior dificuldade encontrada em seu trabalho?

Luciano:  A maior dificuldade é se deparar com atos de extrema crueldade. Por exemplo, na semana passada (para alegria de todos envolvidos), um cãozinho chamado Bidu foi adotado por uma família de Porto Alegre. Ele teve “apenas” o pezinho (sim, só o pé, o resto da pata não) decepado a facão. É fácil perceber que foi uma lesão proporcionada por algum objeto afiado devido a sua característica e simetria. Isso sem contar os clássicos casos de negligência, em que não alimentam e não dão água para os animais. Porém, há uma dificuldade “positiva” no trabalho, que é tentar não se apegar a eles. Muitas vezes durante o trabalho acaba acontecendo uma conexão tão grande com os animais, que é difícil não querer pegá-los e trazer para casa. Já passei por pelo menos umas oito situações em que a vontade era de adotá-los e tentar fazer com que apagassem aquele passado ruim que tiveram até o momento de serem resgatados.

A: E qual a maior alegria?

Luciano:  A maior alegria é quando tenho a certeza de que o trabalho cumpriu o seu papel e efetivamente colaborou com algum processo de adoção (ou doação, no caso de ração e dinheiro para tratamentos). É o momento em que tenho a certeza que a vida deles está mudando para melhor, que terão cuidado e amor. No caso de cães e gatos que sofreram algum tipo de crueldade, esse sentimento é ainda maior.

A: Você pensa em levar esse trabalho para outros Estados?

Luciano: Sim, penso e já estou trabalhando nisso para que o projeto seja ampliado. Já apareceram fotógrafos de outros estados querendo contribuir. E isso é outra coisa que traz bastante satisfação. Quando alguém da fotografia consegue ver valor e gosta do resultado prático e estético, é muito gratificante. Por enquanto essa ampliação está sendo esboçada e terá toda uma mecânica no site do projeto que está sendo desenvolvido. 

A: Que mensagem você gostaria de passar para os outros?

Luciano: Mesmo com tanta indiferença e crueldade, é impressionante a capacidade que o animal tem de continuar a amar os homens. É impressionante como um cão, por exemplo, mesmo tendo sofrido muitos maus tratos, consegue sentir um amor tão grande e criar um senso de lealdade por um “amigo” (não gosto muito da palavra “dono”) humano. Fica aqui a mensagem:  informe-se sobre os trabalhos de proteção animal na sua região. Pode ser que não possam adotar, mas mesmo apadrinhando algum animalzinho ou ainda fazendo doações eventuais de ração, serão ações que farão grande diferença. Por último, gostaria de deixar uma frase que gosto e que diz muito sobre esse trabalho de proteção animal e que eu levo como lema nesse trabalho: Um homem só é nobre quando consegue sentir piedade por todas as criaturas.

CONFIRA A FAN PAGE DO FOTÓGRAFO PROTETOR
  • O fotógrafo Luciano Stabel, que criou o projeto social Fotógrafo Protetor
  • “Amigos, esse rapazinho é o Júnior. Ele tem quatro meses, é muito brincalhão e está aguardando um lar definitivo. Alguém se habilita?”
  • “Essa é a Trica, uma gatinha tricolor de sete meses aproximadamente, muito querida e já castrada. Vai adotar?”
  • "Ok, a gente sabe que não existe filhote feio, mas esse é demais! Foi praticamente impossível fazer a seleção das fotos que entrariam na página.” 
  • “Muitas vezes o carinho e o cuidado da vizinhança garantem uma existência um pouco menos difícil para cães comunitários, como estes dois que esperam um lar em São Leopoldo.” 
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