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Ações Sociais

Construindo sonhos coletivos

Jovens de 19 países se juntam ao Instituto Elos para conhecer e atender os anseios de comunidades carentes

Carla Zomignani
Foto: Nirley Santos e Paulo Pereira
Olhar, afeto, sonho, cuidado, milagre, celebração, re-evolução. Essa é a filosofia que rege o Instituto Elos Brasil, uma organização não governamental que, desde 1999, tem incentivado e formado jovens do mundo todo para construir aqui mesmo, na vida real, um mundo de sonho!

Sabe o gênio da lâmpada? É mais ou menos como ele que funciona o projeto da organização, chamado Guerreiros sem Armas: um grupo de voluntários visita comunidades carentes e descobre quais são os desejos e necessidades dos moradores, para então colocá-los em prática.

Idealizado por cinco estudantes de arquitetura, o projeto nasceu em Santos, no litoral paulista, em 1999. À época, eles queriam dar um viés social à área que escolheram como profissão. “Buscávamos descobrir o impacto social que a arquitetura poderia ter e para isso a gente foi aprender fazendo, colhendo experiências, entrando em favelas e procurando observar, sem a ajuda de professores”, explica Rodrigo Alonso, diretor-presidente e cofundador do instituto. De lá para cá, o programa não parou mais e já formou cerca de 300 jovens de mais de 30 países.

GUERREIROS EM AÇÃO

O Guerreiros sem Armas acontece a cada dois anos, tem duração de 30 dias e sua maior missão é garantir a formação vivencial desses jovens em liderança e empreendedorismo social, em uma verdadeira via de mão dupla. Afinal, ganham os jovens e ainda mais as comunidades por onde eles passam e deixam suas marcas.

Para se ter uma ideia do alcance do projeto na prática, o trabalho realizado em julho último contou com a participação de 59 moças e rapazes de 19 países. Abrangeu três comunidades (duas de Santos e uma do Guarujá) e o resultado foi surpreendente. Sempre com um sorriso no rosto, vontade de aprender (e de fazer), os participantes enxergam abundância onde normalmente só se vê escassez.

“Os jovens são orientados a ouvir as pessoas das comunidades, mobilizá-las e encontrar sonhos comuns que possam ser realizados em quatro dias, durante o Mão na Massa, que é a fase final do Guerreiros sem Armas”, detalha Rodrigo. “A partir desse levantamento, procura-se talentos e recursos na própria comunidade, estuda-se a viabilidade desses sonhos e sai-se a campo para buscar mais recursos junto a empresários da cidade e órgãos públicos.”

Em uma das comunidades, a da Vila São Bento, na subida de um dos morros de Santos, por exemplo, em quatro dias uma parte desses guerreiros transformou um terreno abandonado e cheio de mato em um belo jardim com plantas doadas pelos próprios moradores e bancos feitos de pneus reciclados. Criaram um pequeno playground, também com jardim e uma gangorra igualmente confeccionada com pneus reciclados e guidom de bicicleta. Deram uma cara totalmente nova (e aconchegante) à Sala do Brincar da Sociedade Melhoramentos local e o principal: montaram uma brinquedoteca pra lá de especial, com direito a cantos de leitura com almofadas confeccionadas pelos jovens e pela comunidade, prateleiras feitas de caixas de madeira doadas e revestidas com amostras de tecidos descartadas por uma loja de revestimentos e muitos brinquedos produzidos com material reciclável, como caixas de papelão e embalagens plásticas, e com garrafa PET, entre outros. As paredes externas e internas não foram esquecidas: ganharam árvores com prateleiras no tronco e folhas feitas com as marcas de mãos.

Além da transformação física dos espaços, os Guerreiros ainda estimulam a comunidade, começando pelas crianças, a conservar tudo o que foi construído. Tanto que algumas delas, durante o Mão na Massa, ficaram responsáveis, por exemplo, ou pela devolução dos materiais emprestados pelos moradores ou pela troca de livros da nova brinquedoteca ou, ainda, pela contação de histórias...

PALAVRA DE QUEM DÁ E RECEBE

A atriz e arteeducadora Renata Laurentino, de São Paulo (SP), participou deste último GSA e não tem dúvidas: “Foi uma das experiências mais fortes que vivi em toda a minha vida”, declara, ao ressaltar que o que a levou a se interessar pelo programa foi a metodologia da ONG “em fazer COM as pessoas e não PARA as pessoas”.

O santista Ronaldo Pereira, de 26 anos, é um exemplo de como o projeto tem o poder de transformar a vida das pessoas. Ele é pesquisador de campo da Secretaria de Assistência Social (Seas) da cidade e estudante de Tecnologia em Gestão Ambiental. Sua história cruzou com a dos Guerreiros sem Armas em 2009, quando recebeu, em sua comunidade, na Alemoa, um grupo de jovens sonhadores de vários países. “Com um sorriso no rosto, eles foram descobrindo belezas, recursos e talentos que nós mesmos que moramos aqui não percebíamos”, recorda-se Ronaldo.

E olha que a realidade dos moradores da Alemoa não é nada bonita. Eles moram em palafitas, em uma área de mangue, e em dezembro de 2006 foram vítimas de um grande incêndio que atingiu 166 famílias. Foi nessa época, inclusive, que Ronaldo começou a se interessar pelos problemas da comunidade, a procurar soluções para aquele sofrimento todo. “Só que naquela época eu acreditava que tínhamos que solicitar ao governo”, conta. “Mas depois de conhecer o programa do Guerreiros, em 2009, aprendi que sonho que se sonha só é só um sonho e que sonho que se sonha junto é sonho realizado”, em uma alusão a um dos versos da música Prelúdio, de Raul Seixas.

Como ajudar

Quem tiver interesse em se inscrever para participar do próximo Guerreiros sem Armas pode fazê-lo pelo e-mail elos@institutoelos.org.  Para saber mais sobre este e outros projetos mantidos pelo Instituto Elos, acesse: www.guerreirossemarmas.net ou www.caminhodoguerreiro2.wordpress.com. É possível se conectar com o Elos e o Guerreiros sem Armas também pelo Facebook ou pelo site www.institutoelos.org.

 
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