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Ações Sociais

Clube dos Vira-latas

Dá pra resistir a umas carinhas dessas? Conheça o trabalho lindo feito por essa ONG de São Paulo

Livia Valim
A Fraldinha foi encontrada bem pequena dentro de um saco de lixo boiando em uma represa. A Fifi foi jogada pelo dono na porta do abrigo, porque já estava muito velhinha. O Brutus ficou acorrentado por 11 anos e só conseguiu ser resgatado da casa de quem o maltratava porque a polícia entrou à força. Cada um dos cerca de 500 cachorros que moram no Clube dos Vira-latas tem uma história triste. E a presidente da ONG, Claudia Demarchi, conhece uma por uma. Ela chama os fofos pelo nome e conversa com eles dizendo “é a mamãe que está aqui”.

A vida da Claudia é dedicada a cuidar desses bichinhos que precisam tanto. “Mas eu sei que aqui eles não vivem em uma situação ideal. Não conseguimos dar carinho para todos, por isso só tratamos deles até serem adotados”, ela explica. Esse é mesmo o principal objetivo do Clube, por isso eles promovem feiras de adoção semanalmente.

Com onze administradores, nove funcionários e milhares de ajudantes eventuais, a ONG vive só de doações, além do esforço físico e financeiro de quem trabalha nela. O salário dos veterinários, por exemplo, é pago por uma empresária solidária com a causa. E ela deve estar orgulhosa do que faz, porque os profissionais são feras! O dr. Alexandre Rossi Gurgel é especialista em ortopedia e promove verdadeiros milagres em animais que chegam quase mortos. Ele opera a coluna de atropelados e muitos deles voltam a andar. Mas não pense que aqueles que ficam paraplégicos são menos felizes. A Fraldinha mesmo corre que nem uma louca para lá e para cá sobre a sua cadeira de rodas. Até escadas ela sobe e desce! “O problema é que volta e meia ela quebra a cadeira e temos que comprar outra”, conta Claudia.

Rede amiga
Até o ano passado, o Clube sofria muito pra conseguir até dar de comer e oferecer um cantinho digno para os animais. Foi aí que o Marcelo Glauco se prontificou a criar algo no Facebook. A ideia foi tão boa que a página virou a primeira entre as ONGs do mundo em crescimento e a primeira do Brasil em número de acessos. São mais de 260 mil pessoas curtindo o perfil. E cada uma divulga os resgates e doações para seus amigos, o que forma uma rede enorme. Com isso, a quantidade de doações aumentou e assim o abrigo está ganhando aos poucos canis mais confortáveis.

Claro que a divulgação também faz crescer os pedidos de resgate, por isso o trabalho e a necessidade não acabam nunca. Eles precisam sempre de ração – são sete toneladas por mês –, brinquedinhos, cobertores, material de limpeza, medicamentos, potes vazios de sorvete, roupas velhas e até jornal. E qualquer coisa que sobra é doada para ONGs parceiras. “Nosso sonho é fechar a ONG porque nesse dia não vão mais existir mais cachorros abandonados”, imagina a assessora de comunicação do Clube, Marina Antzuk. Sonho impossível? Talvez não. A saída é conseguir castrar todos os bichos, para que eles parem de procriar.

O projeto da ONG – por enquanto bastante distante – é o de construir um CastraMóvel, um microônibus todo equipado que possa ir até os bairros mais afastados para castrar os bichinhos. “Porque tudo bem, a prefeitura castra de graça. Mas como as pessoas vão até o centro de zoonoses? Pegar ônibus com o cachorro no colo não dá”, lembra Marina.
Dupla personalidade
Não é só vida de gente que podia virar novela. Lê só a história da Cheer. Ela foi encontrada em São Bernardo do Campo, na Grande São Paulo, muito, mas muito machucada. Foi levada para o Clube dos Vira-latas para ser sacrificada, pois ela não mexia as duas patas traseiras e estava bastante debilitada. Mas aí o dr. Alexandre decidiu tentar salvá-la. Operou, cuidou dos ferimentos e não é que essa fênix sobreviveu? Ela está até voltando a firmar as patinhas, o que leva a crer que vai voltar a andar.

Como eles fazem com todas as histórias que têm final feliz, o pessoal da instituição escreveu no Facebook a dela e colocou uma foto. Foi aí que uma moradora de Dubai entrou em contato dizendo que a cachorra era dela. Desconfiada, Claudia resolveu tirar a prova: combinou com a moça de conversar através da internet, com câmera e tudo, e pôs a Cheer em frente ao computador. A mulher na outra linha chamou “Dalila, Dalila” e a cachorrinha ficou desesperada, procurando a voz da sua dona perdida. O que aconteceu foi que a brasileira que mora em Dubai, nos Emirados Árabes Unidos, veio passar alguns dias no País e trouxe a mascote. Só que a danada fugiu de um pet shop quando foi tomar banho e ficou andando por aí, passando por sabe-se lá quais perrengues. A Dalila já voltou para o conforto de seu lar em Dubai e está se recuperando bem.

Faça sua parte
Não fique indiferente ao presenciar ou saber de um caso de maus tratos com animais. Ligue imediatamente para 190 e solicite uma viatura policial. Eles podem alegar que não fazem esse trabalho, mas não é verdade. Mencione a lei 9605, pois se trata de um crime previsto em Lei Federal. Algumas prefeituras possuem canais específicos para esse tipo de denúncia. Procure na internet pelo site da prefeitura da sua cidade. Se quiser ajudar de alguma forma o Clube dos Vira-Latas, veja como na página do Facebook: www.facebook.com/ClubeDosViraLatas
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