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Ações Sociais

A vida pede mais amparo

Conheça o trabalho realizado no Amparo Maternal, em São Paulo (SP), e veja como você pode ajudar

Bira Veneziane
Foto: Chema Llanos
Até os anos 1960, o casarão rodeado por jardins e uma pequena capela era conhecido como “a casa da mãe solteira”, pois naquela época era comum mulheres serem expulsas de casa se engravidassem antes de casar. O perfil das abrigadas não mudou muito. Hoje, o lugar é dividido entre mulheres rejeitadas pela família, moradoras de rua e dependentes químicas: todas marginalizadas pela sociedade. O lema do Amparo Maternal é nunca recusar atendimento a quem bater à sua porta.

DE BRAÇOS ABERTOS

Foi o que aconteceu com Alexandra da Silva Barros, de 25 anos. Expulsa de casa por conta da gravidez indesejada, ela chegou à instituição levada por uma colega e passou a morar no alojamento que funciona em um prédio vizinho à maternidade, chamado de Centro de Acolhida, que comporta até 100 mulheres. “No primeiro instante já me explicaram tudo sobre a casa e o atendimento, e eu senti que ia ser bom”, diz a jovem, que ainda permanece no albergue um mês após ter dado à luz uma menina forte e saudável. Apesar da acolhida, em princípio Alexandra estava determinada a dar a criança para adoção, pois culpava a gravidez pelo abandono da família. A filosofia da instituição de incentivar o laço afetivo entre mãe e filho provou-se efetiva, e hoje a mamãe está feliz, cuidando da bebê com afeto. “Resolvi chamá-la de Ester, pois ela vai ser uma mulher guerreira”, afirma, esperançosa. “Isso me faz ter força para lutar lá fora, mas agora eu só penso mesmo em lhe dar atenção e carinho.”

Para Jucélia de Gaspar, responsável pela gestão do Centro de Acolhida, o trabalho realizado no alojamento promove uma transformação na vida dessas mulheres. “Quando trabalhamos com gestantes estamos cuidando não de uma, mas de duas vidas. Cada vez que vemos uma dessas mães chegar aqui em uma situação de extrema vulnerabilidade, muitas vezes drogadas, e suas crianças nascerem perfeitamente saudáveis, ficamos mais gratas por nossa função. São praticamente dois milagres: o nascimento da criança e o renascimento da mãe!”, garante.

MÃE NATUREZA

Conhecido por sua filosofia de incentivo ao parto normal, menos agressivo tanto para a gestante quanto para o bebê, a taxa de parto por cesárea do instituto é de apenas 22%, um índice baixo entre os hospitais especializados. Tal desempenho resulta de um modelo compartilhado de atendimento, onde todos os profissionais em contato com a paciente – dos médicos à assistente social – estão envolvidos na tentativa de demonstrar para a mãe as vantagens do parto normal. Mas a casa também conta com um centro cirúrgico para os casos em que a cesárea é indispensável, e uma UTI neonatal para os bebês prematuros. As duas áreas acabam de ser reformadas e estão equipadas para atendimentos de emergência.

 
Foto: Chema Llanos
TEMPOS DE MELHORIAS

Instituição filantrópica, o Amparo Maternal se mantém com recursos bastante escassos e não conta com investimento público direto. Um contrato com a Prefeitura de São Paulo por meio do SUS financia cerca de 50% do custeio, o restante vem de contribuições, como o aporte financeiro da Congregação Santa Catarina, que assumiu a cogestão do instituto há três anos. Atualmente, o desafio é encontrar parceiros que possam complementar o custeio das obras de infraestrutura. Em parceria com instituições públicas ou privadas, o instituto espera completar o projeto de modernização, estendendo as reformas para o Centro de Parto Normal e a parte de hotelaria. Construídas há 30 anos, as enfermarias ainda são bastante simples. São 68 leitos e apenas dois banheiros.

Nos seis anos em que trabalha no Centro de Parto Normal, a enfermeira obstetra Karena Castro Silva se orgulha de ter realizado cerca de 2 mil partos. Durante sua rotina de trabalho, ela permanece em contato com as parturientes e seus bebês 12 horas por dia: “Pode parecer mecânico lidar com tantos nascimentos diários, mas não é. Quando percebo que fiz um bom trabalho, fico muito emocionada”, garante. Mas seus olhos brilham mesmo quando ela fala sobre as futuras reformas. Hoje o setor funciona sob uma concepção antiga, de pré-parto, com quartos coletivos, de quatro ou cinco leitos, onde as pacientes ficam juntas no período de trabalho de parto, até serem transferidas para a sala de parto. “Cada paciente terá um quarto, onde poderá permanecer com seus acompanhantes, e ali receberá a assistência de todos os profissionais durante o trabalho de parto, o nascimento do bebê e o período de observação pós-parto, saindo dali direto para o leito no andar de assistência à mãe”, explica a enfermeira obstetra. “Quando essa reforma acontecer será perfeito. O nível de atendimento vai ser sensacional!”

Como ajudar?

Você também pode contribuir para a manutenção e a modernização do Amparo Maternal. Basta depositar qualquer quantia na conta: Bradesco, agência 2282-9, conta corrente 0729-3. Ou encaminhar alimentos não perecíveis e produtos para os cuidados de gestantes e bebês para o endereço da instituição: Rua Loefgreen, 1901, Vila Clementino, SP. Informações: (11) 5089-8275 ou doacoes@amparomaternal.org
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